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Uma Infância Interrompida: A História de Bruna

Em uma comunidade ribeirinha no interior da Amazônia, uma menina de 12 anos que nunca aprendeu a ler nem a escrever tornou-se mãe. Seu bebê nasceu prematuro. Ela não sabe como segurá-lo, amamentá-lo ou se quer amá-lo. Afinal, ela ainda é uma criança.

Conhecemos Bruna — pseudônimo para proteger sua identidade — quando o conselho tutelar convidou a Child Impact para acompanhar uma visita direcionada pelo Ministério Público. O relatório do caso trazia uma anotação grave: a menina estava grávida, supostamente como resultado de abuso sexual.

Durante aquela primeira visita, Bruna nos contou que um madeireiro que havia chegado à comunidade havia abusado dela. Nossa equipe voltou abalada — não apenas pela gravidez, mas pela dimensão da vulnerabilidade e do abandono que cercavam a vida dessa criança.

Os meses se passaram. Então, em julho, uma jovem entrou em contato com nossa assistente social com uma notícia alarmante: Bruna havia dado à luz um bebê prematuro e estava em situação de extrema necessidade. O bebê tinha três dias de vida. Estava com fezes secas no corpo. Não se alimentava porque Bruna se recusava a amamentá-lo. A situação era uma questão de vida ou morte.

Nossa assistente social e psicóloga foram imediatamente para a casa onde Bruna estava — não com a mãe dela, mas com uma família da cidade que havia a acolhido. Entramos em contato com a Secretaria de Assistência Social. Um agente comunitário de saúde também foi convocado. O bebê foi reinternado no hospital junto com Bruna por uma semana. Antes da transferência, entregamos a Bruna um kit de sobrevivência: fraldas, pomada, toalhas, roupas de bebê e um cobertor — porque o bebê não tinha nada para vestir.

Foi durante uma visita de acompanhamento que Bruna revelou algo ainda mais perturbador do que havia nos contado anteriormente. O pai da criança, disse ela, não era um madeireiro desconhecido. Era seu professor. Tão jovem, Bruna já havia sofrido violência nas mãos de dois homens diferentes.

Ficamos indignados com os acontecimentos que se seguiram. O suposto abusador viajou à cidade quando o bebê nasceu — para registrar a paternidade da criança. Apesar de ser o suspeito de perpetrar estupro de vulnerável, um crime hediondo sob a lei brasileira, ele não foi preso. Até o momento deste relato, ele segue solto e não foi afastado de seu cargo de professor. Durante uma de nossas palestras na comunidade onde ele leciona, ele estava presente no terreno da escola. Fomos também informados de que ele supostamente mantém um relacionamento com uma menina de 16 anos que atualmente também está grávida.

Bruna tem 12 anos, é analfabeta e não gosta de falar sobre sua história quando a mãe está por perto — um sinal de que seu ambiente familiar, em vez de oferecer proteção, aumenta sua vulnerabilidade. As palavras de sua mãe revelam a culpabilização tão comum em casos de violência sexual. Ela disse que Bruna “não deveria ter mais filhos” e “não deveria se envolver com ninguém”, como se a criança tivesse alguma responsabilidade pelo que aconteceu com ela.

Bruna não demonstra afeto pelo bebê, não sabe cuidar das assaduras que resultam de ficar com a fralda suja. Ela simplesmente o deixa deitado, sem atenção. Ela não sabe ser mãe; nenhuma menina de 12 anos deveria saber.

A Child Impact agora está se mobilizando em três frentes. Estamos buscando medidas legais para garantir que o abusador seja responsabilizado criminalmente e imediatamente afastado da escola. Estamos trabalhando para encaminhar Bruna a um acolhimento institucional ou familiar adequado, longe da mãe que a culpa e do ambiente que a silencia. E estamos lutando para garantir-lhe apoio psicológico urgente.

A Child Impact está construindo o Colégio Residencial Caminhos da Liberdade para que meninas como a Bruna, tenham a oportunidade de reconstruir sua infância e sua dignidade, tendo a oportunidade de ter um local seguro e acolhedor para ela e seu bebê.

Você não pode mudar o que aconteceu com Bruna. Mas pode ajudar a mudar o que acontece depois. https://childimpactbrasil.doar.app/

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